Criador e ex-presidente do antigo Juazeiro Kennel Clube, atual Grande Cariri Kennel Clube, o Senhor Mario Henrique Cardoso da Rocha, Mario Henrique, como é conhecido no meio, cinófilo de coração, vem abrilhantar a nossa seção de entrevistas, sempre realizada com criadores de todo o Brasil.
Quem| Mario Henrique Cardoso da Rocha
Onde| Juazeiro do Norte-CE
Por quê| No corrente ano, de 2009, o Mario Henrique importou cerca de 10 animais. Isso, certamente, trará ótimos resultados para a evolução da criação nacional e em especial para a já consolidada raça Boxer. sem sombra de dúvida, a raça que conta significativo número de Best in Shows em exposições de beleza.
E N T R E V I S T A
C-BR| Olá Mário, gostaria de agradecer por você estar participando do nosso trabalho.
MH- Caro Bruno o prazer é todo meu em poder estar dando um pouco do meu conhecimento sobre esta maravilhosa raça Boxer.
C-BR| Mário: por que ser presidente de um clube cinófilo? E no que isso pode trazer de benefícios à CINOFILIA de uma localidade, Cidade ou Estado?
MH- Primeiro, ser Presidente de um Clube. Todos nós temos ideais e tentamos colocar em prática, às vezes conseguimos e às vezes não. Moro numa região onde a cinofilia ainda engatinha, e ser presidente de um clube numa região como esta é muito difícil, com isso adquirimos amigos e inimigos, coisa que a meu ver é muito triste, pois todos querem a mesma coisa, o desenvolvimento da região perante a cinofilia Brasileira. Segundo, acho que ser presidente não nos traz benefícios nenhum, e sim prejuízos, tanto de ordem financeira como social. Mas quando se tenta fazer algo de bom, você tem o reconhecimento de uns e a desaprovação de outros que querem estar no seu lugar.
C-BR| Como foi seu início na cinofilia? E Por quê continuar?
MH- Nasci numa casa cinófila. Então, cresci com cães. Comecei mesmo na criação com seriedade no ano 2000, quando comprei meus primeiros Boxers, e o por quê continuar: Amor à cinofilia é algo que corre nas minhas veias, por mais que tente, não consigo deixar de amá-la.
C-BR| Soube de suas importações. feitas durante este ano, em número de aproximadamente 10 cães. No que isso poderá contribuir para o melhoramento e tipicidade da raça Boxer no país e em especial no Nordeste?
MH- Sempre trabalhei, desde o ano 2000, linhagens canadenses. Porém elas se fecharam demais, então fui buscar cães de linhagens mais abertas para que, junto com o material que eu já tinha, pudesse ter um plantel de alto nível, não só no sentido de exposição, mas principalmente na parte da reprodução dos cães.
C-BR| Como você realiza seus cruzamentos? Usando outcross ou linebreader?
MH- Depende, uso os dois tipos, mas primeiro estudo meses os acasalamentos antes de serem realizados, e não cruzo uma cadela com um cão só porque ele esta ganhando um ranking, antes procuro ver quais os Boxers que melhor estão produzindo e vejo se se enquadram no meu trabalho de criação.
C-BR| Como está a raça para você no Brasil, e como em especial está a representação da raça no NE?
MH – A Raça está muito forte nos últimos 10 anos. Cada ano que passa mais forte fica, temos cães que podem chegar a qualquer lugar no mundo e ganhar em cima dos melhores cães de seus países, um exemplo bem próximo é um cão de minha propriedade que está no Chile e hoje é o boxer # 1 daquele país. Com relação à raça no NE, acho que está muito bem representada, não deixando nada a dever a qualquer parte do mundo. Temos criadores sérios que estão fazendo seus trabalhos de acordo com suas ideologias, porém sempre procurando o melhor para a raça no país. Em especial, destaco o estado do Ceará, que hoje tem criadores de um nível bem acima da média.
C-BR| Em que consistirá a sua contribuição para o melhoramento da raça no nosso país e o que você tem feito para obtenção desse resultado? Tem, já, algo de novo a compartilhar com todos nós?
MH – Fiz algumas Importações como você já citou acima. Tentei, em alguns países buscar o que, na minha opinião, havia de melhor. Agora estou colhendo os primeiros frutos, com as primeiras ninhadas desta nova fase do canil. Os resultados estão sendo superiores ao esperado. Veja: esperávamos preparar um cão pro ano que vem, mas ele logo de cara vem se tornando um dos maiores vencedores da raça do pais e antes de completar três anos, idade essa que ainda não representa o auge da raça. Tem muita coisa para vir ainda, os nossos filhotes estão nascendo e estou preparando o campo para eles se tornarem também campeões.
C-BR| Há parcerias, no âmbito da criação seletiva e de melhoramento? Você chegou a ser procurado no Brasil por criadores que buscam aprimorar a linhagem de sangue de seus animais, para o melhoramento de seus plantéis? Isso existe aqui no Brasil?
MH- Aqui no NE fui procurado apenas por uma criadora da Bahia, a Sra. Maria Paula, mas no sul e centro oeste do país fui procurado por vários criadores sim, inclusive pelo o atual melhor criador da raça boxer, o Sr. Márcio Faria, do Canil Airaf, onde usou o Rico com algumas cadelas suas, acreditando no potencial do cão. Também fui procurado por outro grande criador, o Sr Gilberto Rocha, do Canil Gama Grass, em São Paulo. Porém estamos em fase de negociação.
C-BR| Fale um pouco sobre o seu sistema de criação, nutrição, além, é claro, do veterinário e de sua importância?
MH – Como disse gosto muito de estudar pedigrees. Tenho poucas ninhadas por ano, porém com muito estudo. Uso a melhor ração hoje do Brasil que é Ração Royal Canin, que no caso temos uma parceria. Quanto ao veterinário, não posso deixar de citar o nome do Dr. Daniel Uchoa, que mesmo a 600 km de distância, é quem resolve tudo para o meu canil, além de ser o veterinário exclusivo do Rico.
C-BR| Na sequência da pergunta anterior, e tendo presente que muitos leitores são ou virão a ser seus clientes, indago: o que você poderia esclarecer mais detalhadamente sobre o seu sistema de criação?
MH – Posso esclarecer que todos os meus cães são frutos de acasalamentos muito bem estudados e sempre procurando o melhoramento da raça, por isso acho que os meus filhotes serão bem melhores do que os meus cães atuais.
C-BR| Em relação à sua produção, sua prole de criador, como é feita a seleção e posteriormente as vendas? Como você classificaria a qualidade de um animal e como é feita a distribuição desses animais, considerados melhores, em relação aos de tipicidade inferior, classificados no Brasil como os pets?
MH – Como em todas as raças, e também na Boxer, não apenas nascem os chamados "top de linha". Há cães de tipicidade inferior ao restante da prole, sem dúvida. Porém, quando se faz um estudo antes do acasalamento vai-se descartando logo muitos prováveis defeitos, que, sem esse estudo, não seria possível minimizar. A venda dos meus cães é feita apenas sob o sistema de reserva antecipada, o que me permite selecionar os futuros proprietários, pois não sou um "vendedor de cachorro". Sou, sim, um criador. Portanto, para ter um Aila’s Kennel, o pretendente terá que primeiro passar por uma seleção.
C-BR| Você é a favor da castração? Que benefícios ela lhe traria no tocante a uma seleção de animais para exposição?
MH – Não, sou totalmente contra a castração dos cães. A castração não pode trazer beneficio nenhum, pois sem o cão reproduzir, devido sua castração, o que ele pode trazer de beneficio?
C-BR| Você é a favor da eutanásia? Em que momento você a usaria em um sistema de criação e seleção de animais para exposição de beleza. Pergunto isso, por causa da polêmica ocorrida no programa Animal Planet, quando esse tema foi abordado no sentido de a eutanásia ser usada como mecanismo decisivo no processo de seleção animal da raça RHODESIAN RIDGEBACK (Crista de cabelos que cresce em sentido contrário ao longo do dorso do Rhodesian), mas que certamente pode ser estendida a qualquer raça canina, já que é do conhecimento geral que todas as raças possuem suas deficiências genéticas?
MH – Sim, mas sou totalmente contra a eutanásia a não ser por motivo de saúde do cão, pois assim ao invés de tentar trabalhar para se corrigir um defeito, sacrifica-se um animal por motivos tão banais.
C-BR| Que dicas você poderia dar, para o melhoramento de nossa cinofilia e em especial a do NE?
MH – Profissionalismo, em todos os sentidos. Desde o criador ao handler até os dirigentes. O Nordeste é uma região com lugares tão lindos, e na maioria das vezes as exposições são feitas nos piores lugares possíveis. Com efeito, os dirigentes de clubes deveriam se unir na adoção de critérios organizacionais unformes, de modo que qualquer exposição tenha o mesmo nível de cuidado, quer para com os expositores, quer para com os animais, quer para com o público em geral, quer para com os handlers, enfim, de modo que todos possam desfrutar de um mínimo de conforto. Para além disso, os locais devem ser escolhidos de modo a permitir que o público tenha acesso, pois de nada vale uma exposição para ninguém ver, a não ser os handlers, que estão em todas as exposições.
C-BR| Como você vê os recintos de exposições caninas? E no tocante à imparcialidade dos árbitros, frente aos resultados que se têm observado nas exposições? Poder-se-á contar com imparcialidade!
MH – Os locais na maioria são péssimos. A imparcialidade dos juízes isso eu não posso falar, pois estaria sendo injusto com alguns juízes sérios, mas a grande maioria são políticos, e acho que os juízes deveriam julgar cães em pistas e não os Handlers ou seus proprietários. A exposição é feita para os cães serem julgados e não seus condutores. No Nordeste existe caciques que querem mandar até nos julgamento dos seus Colegas, como tive ocasião de ver, em uma determinada expo, um juiz que não estava nem julgando, pedir para um juiz em pista dar o prêmio para um cão de uma pessoa, e o cão nem seu era... Mas, graças a Deus, o Juiz que estava julgando era um homem sério, e fez o que achava que devia fazer.
C-BR| Mário: aqui no Nordeste temos visto um número cada vez menor de animais presentes e participando de exposições. A que se deve isso aqui na nossa região? Você acredita que a CBKC estaria em condições de criar um sistema de ranking que permitisse beneficiar mais a nossa região, em virtude de não termos tantos eventos como aqueles existentes na Região Sudeste?
MH – Não penso assim. Acho até que este ano está tendo mais cães em pista do que nos anos anteriores. Porém, estamos passando por uma crise nacional, e o nordeste é uma região pobre. Acho que o ranking que a cbkc está fazendo é o mais correto dos últimos anos. Jamais poderemos ter nossa cinofilia comparada à de são Paulo, até porque lá existem muito mais profissionais; os lugares são mais próximos uns dos outros, e o dinheiro por lá corre mais solto. Além de tudo a cinofilia dos sulistas é bem mais desenvolvida do que a dos nordestinos, que nunca pensam que são capazes.
C-BR| Na qualidade de ex-dirigente, que atributos gostaria de pontuar como os mais importantes que a CBKC deveria passar a propor, com intuito de melhorar a nossa cinofilia?
MH – Acho que a CBKC está mudando, está mais flexível, mais acessível aos criadores. Um dos exemplos que posso dar refere-se ao evento realizado na EXPOCRATO 2009 e já com tudo certo pra 2010, pois aqui ela encontrou o apoio do Governo do Estado, e um local onde a cinofilia pode ser divulgada em âmbito nacional. Acho que é isso que os clubes deveriam fazer: procurar parceiros para que possam fazer belos eventos.
C-BR| Mário: Como você diz acima, recentemente tivemos a 2a edição da EXPOCRATO-CE, dessa vez promovida pela CBKC, pois era um momento de transição e era preciso acerto entre a CBKC e a nova gestão do clube, enfim. Evento Realizado. A meu ver o mais importante do Nordeste em 2009, além do evento de fim de ano do Clube CBC.
O que poderá ser feito para que outro clubes possam vir a ter eventos tão significativos, grandiosos, organizados, e bem administrados, como foi o evento da EXPOCRATO 2008 e 2009?
MH – Bem, primeiro lugar, acho que está equivocado, pois o clube não passava por momento de transição, pois a atual diretoria do GCKC está há mais de um ano na administração do clube. A exposição não foi promovida pela CBKC e sim Pelo grupo Gestor da expocrato e com o auxílio da CBKC, que foi quem tomou conta de toda a exposição. Segundo, os diretores do GCKC estavam lá à disposição dos que precisassem, porém a CBKC trouxe pessoas altamente qualificadas para a organização, planejamento e desenrolar da expo. Acho inclusive que deu poucos cães, pois se o clube estivesse também ajudado, mesmo que de forma pequena, teríamos tido muito mais cães. Acho que também por a exposição ter sido de três dias e a falta de hotéis na região prejudicou um pouco o evento. Porém foi o mais organizado e belo deste ano sem dúvida. É muito difícil se fazer uma exposição feito esta da expocrato, pois os clubes passam por momentos difíceis financeiramente, aqui é realizado desta forma devido ao grande apoio que o Governo do Estado e do Grupo Gestor da expocrato tem dado, pois ano passado foi dos principais eventos da exposição, e devido a mais este grande sucesso deste ano, já está organizada, para o ano de 2010, 3 exposições internacionais novamente sob a organização da expocrato e da CBKC, pois o patrocínio já quase não existe. Um exemplo é que nenhuma empresa de ração teve interesse em patrocinar a expocrato, mesmo sendo um evento onde circulam por dia 500 mil pessoas, e um público seleto e de alto poder aquisitivo. Ou seja, a mentalidade dessas pessoas é muito pequena.
C-BR| À época de sua gestão, à frente do clube, existia um numero X de Associados. O que fazer para que o clube obtenha mais associados? Qual o grau de importância de novos associados no que pertine ao melhoramento de um sistema de criação?
MH – O GCKC é um clube pequeno, que sobrevive de reuniões e da boa vontade de quem o administra. Porém esta administração é feita sim por amor à cinofilia, pois em toda administração, seja ela a qualquer cargo, existem oposições. Mas, na medida em que atrapalha, tem também a sua importância, por isso entendo que a oposição não deva deixar de existir. Porém, em especial ao nossso clube, acho que todas as vezes que a oposição conseguiu fazer algo a seu favor, prejudicou o clube. Na minha época, como presidente do Kennel, acho que deveriam ter uns 5 sócios em dia, pois nem os diretores nem os sócios pagavam suas anuidades. Só pagavam quando necessitavam de serviços. Isso não é um impedimento para o funcionamento do clube, mas acho que o clube deve ter uma sede e um funcionário para que deixe de estar tudo nos ombros de seus administardores. Mas faço uma pergunta: como pagar esta sede e o funcionário, se não se tem receita? É onde digo: só pode administrar este clube quem o ama, pois sempre qualquer um que entrar, terá que colocar do seu dinheiro para bancar despesas do clube. E no final sai sempre como desonesto.
C-BR| Tenho-o visto apresentando seus animais, em exposições. Qual a importância de criadores e proprietários apresentarem seus animais? Será que você poderia compartilhar conosco um pouco de suas experiências no campo da apresentação canina em recintos cinófilos?
MH – Bem fui Handler, fiz estágio na casa de um dos maiores handlers do Brasil, o Sr. Divonei Rasera. Fui, também, aprender um pouco com o Sr Gilberto Rocha. Porém, apresento meus cães hoje porque realmente gosto, apenas por prazer. Tenho um handler, o Sr. Oiram Filho, que é quem apresenta meus cães. Você apresentar um cão seu é pior do que você apresentar um cão de um cliente, pois ali está a responsabilidade da apresentação, de mostrar o seu cão de uma forma legal, e também a sua emoção, pois estar com um cão seu em pista é muito mais emocionante. Pois não existe sentimento maior. São os seus cães.
C-BR| É importante ser Handler para apresentar cães? Que dicas você nos daria?
MH – Sim, porém há vários proprietários que apresentam tão bem, ou até melhor do que muitos handlers existentes em todo o Brasil. O proprietário / Criador ele sabe muito mais daquela raça do que qualquer handler. Ele convive com os cães e estuda raça. Mas é certo que um bom handler faz sim a diferença, quando ele tem uma boa identificação com a raça.
C-BR| Como criador que dicas daria para quem está iniciando no meio cinófilo e em especial com a criação de Boxers?
MH – Procurar um criador sério, estudar que linhas quer seguir e procurar os melhores, pois o menor custo que você tem com um cão e com a compra, pode não justificar, pois se você compra um cão de R$ 400,00, você dará o mesmo tratamento que dá a um cão de R$ 5.000,00, ou seja, serão muito anos gastando com um cão que pode vir a prejudicar o melhoramento da raça.
C-BR| Mario: é importante se especializar na criação de uma única raça ou não? É possível criar bem raças diversas?
MH – Cara: criar bem uma já é muito difícil, criar mais de uma é muito mais complicado porque você tem de dividir estudo, dinheiro, e nunca uma raça é igual a outra, mas é possível sim, apesar de que não me acho capaz de criar outra raça a não ser a minha amada raça boxer.
C-BR| Quais os seus principais momentos na cinofilia?
MH- O momento mais importante na minha vida cinófila, foi quando uma cadela de minha criação chamada Aila’s kennel Angel Savanah venceu seu primeiro BIS. Ali era também o meu primeiro BIS, e com um cão de minha criação, então foi muito especial, e eu estava presente quando o Sr Wladyr Uchoa, na minha opinião um dos melhores handlers da raça no pais, entrou com ela e ganhamos este BIS. Foi o dia mais feliz da minha vida cinófilia. Depois desse vieram muitos outros, mas, o primeiro, a gente nunca esquece. Outro momento muito importante foi quando eu estava parado na criação e vi no site da CBKC que tinha terminado o ranking de criador da raça boxer em 4º lugar, e isso agradeço aos Srs. Daniel Uchoa e ao Sr. Antonio Cesar, que fizeram campanha intensiva de cães de minha criação, e devido às suas conquistas, acabei por ficar em boa posição como criador. Esse fato influenciou-me no sentido de voltar a criar.
C- BR| Em nome da Cinofilia-BR, queremos agradecer por sua participação.
MH – O prazer foi imenso em poder contibuir um pouco com o que sei para o melhoramento da cinofilia.
Nota | Este ano ainda teremos a regional da raça boxer no KCEP a ser realizada agora no fim do ano em comum acordo com o clube do boxer do Brasil, e se possível peço a todos a ajuda para fazer este evento muito bonito, com bons cães e uma quantidade satisfatória, e tudo só depende de nós, pois se amamos a raça boxer, o nordeste agora tem a sua vez de ter um evento tão importante como esse. Estaremos todos lá.